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ESCÂNDALO REAL: Barão paraplégico usava 3 escravos por dia para se satisfazer em 1842

No ano de 1842, na região de Vassouras, província do Rio de Janeiro, Império do Brasil, ocorreu um caso que os documentos da época registram como desordem e incêndio na Fazenda das Sombras, propriedade do Barão Elias Pereira de Chatit. Sou professor de História do Brasil Imperial e venho reconstruir este fato com base nos registros processuais de 1843, nos depoimentos arquivados no Museu do Império e em relatos orais.

Coletado por historiadores locais. O que de fato aconteceu naquela propriedade cafeeira, a Fazenda das Sombras, localizada em colinas próximas a giestas, no coração do Vale do Paraíba Fluminense, região que na década de 1840 produzia cerca de 40% do café exportado pelo Brasil. O Barão Elias, nascido em 1801 na Pomerânia, chegou ao Brasil em 1825 como traficante de escravos.

Após a proibição do tráfico em 1831, investiu no cultivo de café. Em 1832, sofreu um acidente de caça que o deixou paraplégico da cintura para baixo. Casou-se pela segunda vez em 1838 com Maria da Conceição, filha de um comerciante português do Rio de Janeiro. A rotina de caça incluía uma prática que os registros descrevem como a convocação noturna de escravos para assistência pessoal ao Senhor.

Três escravos eram chamados ao entardecer sob o pretexto de ajudar o barão a deitar-se. Devido à sua condição física, os escolhidos eram sempre jovens, entre 18 e 25 anos, de boa constituição física, selecionados pelo capataz com base na força e na aparência. Os depoimentos de dois escravos sobreviventes, recolhidos em 1843, confirmam que essas convocações envolviam atos sexuais forçados.

O barão obrigava as prisioneiras a praticarem atos sexuais entre si e com ele próprio, usando-as como objetos de prazer. Havia o uso de correntes simbólicas nos tornozelos, tapas, marcas de ferro quente e outras punições físicas durante ou após os atos. A baronesa Souz declarou no inquérito que ignorava completamente tais ocorrências, afirmando que era recolhida aos seus aposentos logo após a oração do dia três.

Entre os escravos frequentemente convocados em 1842, estava um africano de Angola, desembarcado ilegalmente em 1835 no porto do Rio. Os capatazes o chamavam de Caiel, nome menos imposto, já que o original era proibido, prática comum de apagar identidades. Ele tinha cerca de 26 anos, trabalhava na fazenda do Sol e era descrito nos registros como insubmisso e com um olhar desafiador.

Na semana de 13 a 19 de junho de 1842, Caiu foi convocado quatro vezes menos do que o número comum, segundo os testemunhos. Na quarta noite, após o término do ritual, enquanto o barão dormia, Cael observou o cofre de ferro sob a cabeceira da cama. Segundo a fofoca, Cenzala, sabia-se que ali o barão guardava um caderno de capa vermelha onde anotava datas, nomes dos escravos envolvidos, descrições dos atos e desenhos anatômicos.

Este documento apreendido em 1843 existe até hoje na coleção do Museu do Império. São 187 páginas de caligrafia repletas de listas nominais e ilustrações explícitas. Cael comunicou a descoberta a outros dois escravos, que foram chamados naquela semana. João Congo, nascido na fazenda, e Zé Maria, casada e pai de três filhos pequenos, propuseram um plano: roubar o caderno e entregá-lo a Lou durante a festa de São João, marcada para 24 de junho, ao comandante José de Almeida.

Em Brooms, a festa reuniria a elite local, barões, comandantes, padres e juízes. A exibição pública do caderno destruiria a reputação do Barão perante a sociedade e a igreja. Para acessar o cofre durante o dia, era necessário o consentimento ou conivência da baronesa, e eu sou a única pessoa que permanecia em Cosa Grande quando o barão saía para inspeções ou negócios na cidade.

Caué começou a se aproximar dela, de forma calculada, levando flores ou lenha para os jardins, trocando olhares, oferecendo pequenos serviços e, segundo seu depoimento posterior, sem nenhum sinal de solidão, houve anos, pois seu marido não a procurava desde o acidente. Na tarde de 20 de junho, durante uma forte chuva, Caué entrou em seu quarto sob o pretexto de levar chá de capim-limão.

Conversamos por cerca de 20 minutos. Ele revelou parte da verdade. Sim. Ah, seu marido usa escravos à noite. Não são mulheres, são homens. Eu era um deles. Mostrou a recente marca de ferro quente no peito, exceto pelas iniciais e em gótico. E eu, de acordo com você, que declarou no processo, fiquei chocado, mas não gritei nem chamei ninguém.

No dia seguinte, 21 de junho, o barão saiu cedo para comprar vassouras e Sou chamou Caé ao quarto principal. Com a chave que carregava no pescoço, abriu o cofre e entregou o caderno sem examiná-lo. Caé pegou o objeto para incensá-lo e o escondeu sob uma tábua solta no chão. O plano prosseguiu: esperar que o barão entregasse o documento a alguém de confiança, possivelmente o vigário ou um juiz presente.

Mas o barão retornou mais cedo do que o esperado, por volta das 15h, e notou o cofre entreaberto e a chave na fechadura. Chamou o capataz e ordenou uma busca imediata em toda a cenzala. Se o caderno fosse encontrado, a punição seria a pena capital de roda menor, prevista no Código Penal de 1830 para crimes graves contra o Sr.

Cael João Congo e Zé Maria souberam da busca minutos antes. Zé Maria, temendo pela família Proximus de Feitor, denunciou o esconderijo. Às 19h do dia 23 de junho, capatazes armados invadiram a cenzala. Cael e João Congo foram arrastados para o terreno. O Barão desceu em sua cadeira de rodas e foi obrigado a ser amarrado ao tronco.

Aqui os fatos começam a divergir um pouco nos depoimentos, mas o essencial é que, claro, houve resistência. Se você quer saber como terminou esse confronto, o que aconteceu com o caderno, com a Baronesa e com toda a fazenda, continue comigo. Deixe seu like se estiver acompanhando essa reconstrução histórica e inscreva-se no canal para mais casos reais do período imperial brasileiro.

Na noite de 23 de junho de 1842, por volta das 7 horas, o capataz e quatro capatazes armados com trabucos e facões entraram na cenzala da fazenda Shadows. Os registros do caso descrevem que Cael e Jon foram localizados rapidamente, graças à recomendação de Mary, de Zé. Os dois foram arrastados para o terreiro central, onde já estava montado o tronco de castigos, uma estrutura de madeira com argolas de ferro usadas diariamente para castigos corporais.

O Barão Elias desceu da varanda principal em sua cadeira de rodas, empurrada por um escravo doméstico de cerca de 14 anos. Segundo o depoimento desse menino, coletado em 1843, o barão estava visivelmente mudado. Ele gritava ordens em português, misturadas com alemão, prometendo morte na cadeira de rodas a quem tocasse no caderno.

Cai e João foram amarrados pelos pulsos ao tronco. O barão ordenou ao capataz que iniciasse o interrogatório com chicotadas, mas Cai resistiu à imobilização. Durante a sessão de açoites, conseguiu libertar um dos braços e pegar o facão que estava pendurado no cinto de um capataz próximo. Com um golpe rápido, feriu o braço direito do capataz, que perdeu muito sangue e caiu.

A lesão, descrita no relatório posterior, era grave. Um corte profundo na região do bíceps, com lesão na artéria braquial. Nesse momento de confusão, outros escravos que observavam das portas da cenzala começaram a se aproximar. Os relatos divergem sobre quem deu o primeiro passo. Alguns dizem que foi um grupo de mulheres camponesas.

Outros apontam para Joan Congo, que ainda parcialmente liberta, gritou e atirou uma tocha acesa, menos do que uma fogueira próxima, exceto no telhado de palha da cenzala. O fogo se alastrou imediatamente. A estrutura da cenzala, feita de madeira e palha, era altamente inflamável, especialmente após dias de sol forte, seguidos de chuva.

As chamas se espalharam em poucos minutos para os galpões adjacentes e, impulsionadas pelo vento noroeste comum na região de Anquela Hora, atingiram o prédio principal em menos de meia hora. A Baronesa Isold, que estava em seus aposentos lendo, foi alertada pelo cheiro de fumaça e pelos gritos. Desceu as escadas principais com Charlie e Rosário.

Ao chegar à varanda, viu o pátio em desordem, o feitor sangrando no chão, os feitosres tentando conter os escravos que corriam em várias direções, e o barão ainda na cadeira, gritando para que trouxessem baldes de água. Segundo o depoimento dela, foi nesse momento que ela confrontou o marido publicamente pela primeira vez sobre os fatos, aproximou-se da cadeira de rodas e perguntou em voz alta o suficiente para que qualquer pessoa por perto pudesse ouvir.

É verdade o que Cael me disse? Que o Senhor use esses homens esta noite como se fossem seus amantes? O barão, atônito, não respondeu imediatamente. E então declarou: “Como consta nos registros, abri o cofre. Entreguei o caderno. Que Deus me perdoe, mas não posso mais viver com essa mentira.”

O barão tentou ordenar que ela se calasse, mas o caos já era total. Caiel, aproveitando a distração, correu para o local em chamas. Ele entrou no quarto principal. O fogo ainda não havia chegado lá e ele recuperou o caderno vermelho que o barão havia guardado no cofre após a busca infrutífera pelo falecido.

Saiu com o objeto debaixo do braço, contorcendo-se em meio à fumaça. Enquanto isso, cerca de 80 a 100 escravos, além dos aproximadamente 120 cativos da fazenda, participaram da desordem. Alguns fugiram para o bosque, levando ferramentas ou pequenos objetos. Outros saquearam a despensa e os aposentos, e um grupo menor atacou os que restavam do capataz.

O barão tentou manobrar a cadeira para longe do fogo, mas as rodas ficaram atoladas na lama do pátio, encharcada pela chuva recente. Três ou quatro escravos conseguiram realizar o ato. Os nomes não foram identificados, pois as testemunhas se recusaram a denunciá-los. Houve golpes de facão e espancamentos. O corpo do barão foi encontrado parcialmente carbonizado.

com ferimentos, cortes no torso e na cabeça. Uma autópsia realizada no dia seguinte concluiu que a morte foi causada por hemorragia e queimaduras graves. A casa principal desabou por volta das 22h. A semzala já estava em cinzas. Vizinhos de fazendas próximas, atraídos pelo brilho do fogo visível a quilômetros de distância, chegaram com carroças e baldes, mas pouco puderam fazer além de conter o fogo para que não se alastrasse pelas plantações de café.

E a soldagem foi resgatada por um capataz de uma propriedade vizinha e levada para a sede das vassouras. Caiel, João Congo e o caderno desapareceram na mata naquela noite. O documento só reapareceu três dias depois, entregue por um padre que disse que Tayow o recebeu de um desconhecido na estrada para a cidade, e que o vigário local de Caminghu o encaminhou imediatamente ao juiz de paz.

O inquérito foi aberto em 27 de junho de 1842. Dos 120 escravos, 52 foram recapturados nos meses seguintes. 47 foram julgados por insurreição e homicídio qualificado. Outros fugiram para quilombos nas montanhas ou para densas florestas. Zé Maria foi morta durante a confusão, provavelmente por companheiros que descobriram a traição. Se você está acompanhando esta reconstrução baseada em documentos históricos e quer saber o desfecho do processo judicial, o que aconteceu com Isso, com o caderno e com os escravos sobreviventes, continue lendo.

Próxima parte. Deixe seu like se esta abordagem factual está ajudando você a entender melhor o passado imperial. Inscreva-se no canal para mais casos reais da escravidão no Brasil e comente abaixo. Você acredita que casos como este foram exceções ou parte de um padrão maior e disseminado na sociedade da época? Inclua o nome da sua cidade.

O inquérito aberto de 27 de junho de 1842, no distrito de Brooms, foi conduzido em sigilo por ordem do juiz de paz, sob pressão da elite cafeeira da região. O caderno vermelho, entregue pelo vigário ao juiz, foi anexado aos autos como principal prova da depravação do falecido barão.

Os documentos do processo, agora disponíveis no acervo do Museu Imperial de Petrópolis, incluem transcrições de 47 depoimentos de escravos recapturados, declarações de vizinhos, o laudo da autópsia do Barão e o próprio diário, com 187 páginas numeradas. O juiz evitou divulgar o conteúdo integral do caderno para não escandalizar a sociedade, limitando-se a citar trechos em linguagem velada.

Atos contra a natureza e a moral cristã, praticados contra a vontade dos cativos. A Baronesa Isold foi ouvida em 5 de julho de 1842. Declarou que só tomou conhecimento dos processos na noite do incêndio. Confirmou ter aberto o cofre e entregado o caderno a Cael por medo e confusão moral, mas insistiu que agiu para evitar maiores males.

Ela não foi acusada de cumplicidade em agosto de 1842. Vendeu os direitos restantes da fazenda para um primo distante do Barão e partiu para Lisboa em um navio de uma companhia de navegação a vapor. Registros do porto do Rio confirmam sua partida em 12 de setembro de 1842. Ele nunca retornou ao Brasil e morreu em 1861, aos 48 anos, sem deixar descendentes, ao contrário dos 120 escravos originais.

Cinquenta e dois foram recapturados entre julho de 1842 e março de 1843. Foram julgados em três sessões: 18 foram condenados à pena de morte por enforcamento por homicídio qualificado do senhor e incêndio criminoso; 29 receberam de 300 a 600 chicotadas e trabalhos forçados perpétuos; cinco foram absolvidos por falta de provas diretas. As execuções ocorreram em uma praça pública em Vassouras, em datas espaçadas para servir de exemplo.

Os 68 restantes, incluindo mulheres, crianças e idosos, foram leiloados em lotes para pagar as dívidas da fazenda falida. Fall e João Congo nunca foram recapturados. Há uma anotação marginal nos registros de 1844, assinada por um capitão ordenança. Relata-se que dois negros que escaparam da fazenda clandestina foram vistos em um quilombo na Serra da Bocaina, mas a expedição punitiva não os encontrou.

Não, não há confirmação posterior. O caso foi abafado na imprensa oficial, o Diário do Rio de Janeiro. Publicou-se apenas uma nota incompleta em 2 de julho de 1842: Incêndio acidental em propriedade rural do Vale do Paraíba. Proprietário faleceu em consequência disso. Escravos revoltosos serão punidos de acordo com a lei. Jornais oposicionistas, como o 7 de Abril, insinuaram motivos obscuros por trás do incêndio. Mas nenhum detalhe.

O episódio integrou o conjunto de tensões que marcaram o declínio gradual do regime escravista no Vale do Paraíba. Casos de abuso sexual de senhores contra cativas aparecem em processos criminais de outros distritos, como o de vassouras, o de goitacazes e o de cachoeiras, mas raramente chegam a julgamento público. O que diferencia o caso da fazenda dos demais é a apresentação do diário e a morte violenta do senhor.

Fatos que abalaram a imagem de invulnerabilidade da classe senhorial. Historiadores como Robert Conrad e Emília Viot da Costa apontam que abusos desse tipo faziam parte do controle diário em Casagrande, uma forma de humilhação que reforçava as hierarquias, mas que, quando revelada, minava a legitimidade moral do sistema. A revolta não se organizou como uma quilombola clássica, mas como uma explosão pontual de raiva acumulada.

Nenhuma alteração na estrutura escravista imediata, a menos que a abolição só viesse a ocorrer em 1888, contribuiu para o clima de medo que, anos mais tarde, levou à busca por alternativas ao trabalho escravo. A Fazenda Sombra nunca foi reconstruída. As terras foram incorporadas a propriedades vizinhas e cultivadas com café até a crise de 1929.

Hoje restam apenas vestígios das fundações e uma placa discreta colocada pela Prefeitura de Vassouras em 1995. Sítio histórico, incendiado em 1842. O diário permanece parcialmente lacrado, acessível apenas mediante autorização especial. Esta história, baseada em fontes primárias, mostra como o poder absoluto na sociedade escravista gerava contradições internas que, em momentos de ruptura, conduziam à violência extrema.

Obrigado por acompanhar esta reconstrução factual até o final. Gostou desta abordagem baseada em documentos reais do período imperial? Deixe seu like para apoiar o canal. Inscreva-se e ative o sino para receber notificações de novos casos históricos pouco conhecidos. Nos comentários, diga: Você acha que casos como este eram mais comuns do que os registros oficiais mostram? E deixe o nome da sua cidade.